A renovação de Senegal
31 de Maio de 2002. Copa do Mundo da Coréia do Sul e do Japão. Noite em Seoul, para a partida entre França e Senegal. Os franceses, favoritíssimos e atuais campeões continentais (Euro 2000) e mundiais enfrentariam uma equipe novata em Copas, a seleção do Senegal.
Em um dos poucos ataques senegaleses, Papa Bouba Diop surpreendeu o mundo ao abrir o placar para os leões. E ficou nisso. A França sendo surpreendida por Senegal. Depois vieram Dinamarca, Uruguai e Suécia, perdendo apenas para a Turquia, nas quartas de final, no dia 22 de Junho. Mas foi só isso.

Papa Bouba Diop surpreende o mundo do futebol, após fazer o gol da vitória contra a então campeã mundial, França (FOTO: Reuters)
Logo após a Copa, os ‘Leões de Teranga’, como são chamados, sumiram do mapa. Reapareceram em 2006, logo após fracassarem nas eliminatórias para a Copa do Mundo da Alemanha, e depois sumiram de vez.

Senegal em seu último momento de glória na Copa de 2002: A vitória no gol de ouro contra a Suécia (FOTO: AFP)
Ao menos, até este ano. A equipe atual não chega perto ao time comandando com maestria pelo francês Bruno Metsu, os grandes destaques daquela equipe, como Henri Camara e El-Hadji Diouf, estão atualmente fora da equipe, e deram lugar a jogadores como Demba Ba, atacante do Newcastle e ao meia Mickäel Tavares, do Hamburgo.
Outras boas revelações foram no gol e na defesa. No lugar de Tony Sylva, a seleção têm três goleiros, todos com menos de 30 anos, com destaque para Bouna Coundoul, do NY Red Bulls, da liga norte-americana, aonde atua ao lado de Rafa Márquez e Thierry Henry (quem diria, uma das ‘vítimas’ da ingrata surpresa senegalesa no Seoul World Cup Stadium.
Já a defesa, que tinha o eficiente lateral Omar Daf e a firmeza de Ferdinand Coly, ganha agora com a juventude de Pape Diakhaté (27 anos) e Moustapha Bayal Sall (25 anos).

Atual equipe senegalesa que se classificou para a CAN (Copa Africana de Nações) de 2012 (FOTO: Senesport.info)
O grande jogador da equipe que assumiu a responsabilidade que durante um bom tempo foi de Diouf (aposentado da seleção dese 2009) foi Mamadou Niang. O atacante, o jogador mais experiente do do elenco (32 anos), foi o artilheiro da equipe nas eliminatórias, com cinco gols em seis jogos. O time, que não perdeu nas eliminatórias para o CAN (venceu cinco jogos e só empatou um), deixou Samuel Eto’o e Camarões ‘chupando o dedo’, ao eliminarem os ‘Leões Indomáveis’ da competição que acontecerá em janeiro do ano que vem.
Com este time, o treinador Amara Traoré (que era daquela equipe de 2002) quer repetir aquela equipe que surpreendeu o mundo do futebol, dessa vez conquistando a Copa Africana de Nações, que será realizada no Gabão e na Guiné Equatorial.
A dura batalha da Palestina para contratar um treinador
A cada dia que passa, o mercado de treinadores de futebol pelo mundo afora dá a impressão que temos poucos técnicos atualmente. Brasil que o diga, aonde sempre o mesmo grupo de treinadores faz parte da elite (ou ao menos, a maioria deles).
Agora imagine se você é o principal representante do futebol da Palestina e sofre disso? Sendo que a seleção não têm treinador, desde o dia 1º de agosto? Pois é. Um dilema complicado para a seleção que reapareceu nas páginas de jornais do mundo inteiro, ano passado, ao jogar sua primeira partida em solo palestino, depois de anos atuando em campo neutro.
Nesse meio tempo, a situação na seleção só piorou. Foram dois amistosos desde a saída do franco-argentino Mousa Bezaz. Derrotas para Indonésia (4 a 1, de virada) e a humilhação de ter sido goleado pelo Irã, comandado por Carlos Queiroz, por 7 a 0, fizeram a pressão acerca do presidente da federação, Jibril Rajoub anunciar que está procurando um técnico estrangeiro e que estivesse disposto a promover um plano a longo prazo, com a seleção.
O presidente afirma que “está certo de que a Palestina conseguirá bons resultados dentro do futebol da região, e que está confiante de que vai obter resultados positivos ao nível das equipes nos próximos anos.”

Jibril Rajoub (centro) se vê em um dilema cada dia maior; sem resultados, presidente procura treinador certo para Palestina (Foto: Rami Swidan/Issa Images)
O futebol na Palestina durante um bom tempo, era apenas um passatempo, aonde a seleção não conseguia resultados, e que o mais importante era tão somente jogar. Na visão de Rajoub, no entanto, o país, agora com a vantagem de atuar em casa, por conta de ter um estádio (Faisal Husseini, na cidade de Al-Ram), faz com que esta visão de apenas jogar, seja jogada um pouco para trás.
Vários nomes foram cogitados para o comando da seleção local, desde Alfred Riedl, que comandou a equipe nas elimiatórias para a Copa de 2006, até Lothar Matthäus, recém-demitido da Bulgária. Rajoub não deu prazo definido para a escolha do treinador o que vêm irritando, pois dá a impressão de despreocupação.
A Palestina pode ser um dos países que não sonha mais com 2014, mas quer um futuro melhor, um destino melhor para sua seleção, pois afinal de contas, logo após as eliminatórias asiáticas (ou até antes do término, no caso da AFC começar os confrontos durante a última fase de classificação), teremos as eliminatórias para a Copa da Ásia de 2015, que será realizada na Austrália. Isso por que citamos o time adulto, porque nesse meio tempo teremos Eliminatórias pro Asiático sub-22 em 2012, Asiático sub-19 em 2012 (com a possibilidade de ser a sede do torneio, em congresso que será realizado no dia 21 de novembro – disputa com Bangladesh, Irã, Emirados Árabes Unidos e Uzbequistão), e o Asiático sub-16, também em 2012 e que também pode acontecer no País.
A escolha do treinador, mais uma destas duas sedes (seja do Asiático sub-19 ou do sub-16) podem proporcionar um ‘boom’ dentro do futebol palestino. E é aí que o treinador da equipe principal entra, fazendo os ajustes necessários para que o futebol palestino possa, enfim ter bons resultados.
O momento de Papua Nova Guiné?
O futebol nas Ilhas Oceânicas nunca foi lá grande coisa, e sempre era colocado como preferência esportes como Surfe e Rugby (o segundo, pela farta presença de equipes na Copa do Mundo, que está em sua fase final). Ninguém contava muito com o futebol de países como Ilhas Salomão, Tahiti, Fiji. Papua Nova Guiné também entra neste conceito. Mas agora parece que vemos uma importante evolução no futebol destes países, e digo não apenas das seleções, mas dos times também.
Mas vamos focar no exemplo do país mais bem sucedido até o momento, que é Papua Nova Guiné. Enquanto Ilhas Salomão e Tahiti já disputaram outras competições de nível FIFA (Tahiti disputou o Mundial de Beach Soccer, deste ano, disputado em Ravenna, Itália e Ilhas Salomão disputou os Mundiais de Beach Soccer entre 2006 e 2009 e a Copa do Mundo de Futsal em 2008), Papua Nova Guiné conseguiu uma proeza maior: Classificou uma equipe de seu país, o Hekari United, respectivamente, para o Mundial de Clubes da FIFA de 2010.
O sonho durou pouco tempo. A equipe perdeu por 3 a 0 para o Al Wahda, com direito a gols dos brasileiros Hugo e Fernando Baiano. Mas este triunfo foi importante para o retorno da seleção do País, que estava fora desde 2007.
Outro momento que pode ser destacado é o de que o time têm um renomado treinador no comando: Frank Farina, que viveu parte de sua infância no País, e que comandou a Austrália durante seis anos, aonde participou das Eliminatórias para as Copa de 2002 (perdida para o Uruguai) e 2006 (vencendo a Celeste, na repescagem).
O time voltou a figurar no Ranking FIFA, numa longinqua posição de número 187. Mas não têm problema. O trabalho de Farina e de todos, dentro da PNGFA (Papua New Guinea Football Association) têm que ser levado a sério, mas não para agora, para 2014. É para o futuro.

Papua Nova Guiné (de cinza) atuando no empate por 1 a 1 contra o Tahiti, pelos Jogos da Oceania (FOTO: PNGFA)
Uma seleção precisa ter ídolos, referências. Os papuanos podem dizer de Kema Jack e Reginald Davani, a dupla que levou o Hekari ao título da O-League de 2010, quando o time bateu os neozelandeses do Waitakere United. Resultados eles já tiveram, expectativas eles têm. Possibilidades, porquê não? Se já venceram a mesma Nova Zelândia que ano passado, se bancou de ‘Virgem da Copa’ por não ter perdido nenhum jogo (1 a 0, em 1997), porquê não sonhar?
Ok, pra 2014 como já disse, é complicado, mas não é impossível. É uma questão de trabalho. Com um bom comandante e uma equipe aplicada, Papua Nova Guiné pode sonhar em desbancar a Nova Zelândia.
Afinal de contas, sonhar não custa nada, e se têm uma coisa que Papua Nova Guiné já mostrou pro mundo é que, futebolisticamente, a Oceania não é mais feita por um ou dois países.
Um olhar sobre o conflito Israel/Palestina usando o futebol

Crianças comemoram a vitória do Brasil sobre a Coréia do Norte, na cidade de Akko, Israel (Foto: José Menezes)
Existem momentos que nos fazem refletir sobre o que é o futebol para as pessoas. O escriba aqui, por exemplo, já pensou em se jogar em esportes olímpicos, outra paixão que tenho sob meu subconsicente, mas o futebol não me larga.
Há algum tempo, acompanho um documentário brasileiro, que demonstra o que o futebol é em uma das regiões mais conflituosas do planeta.
No último Congresso da ONU, a Palestina entregou um pedido de reconhecimento de seu estado para o secretário-geral das Nações Unidas, o sul-coreano Ban Ki Moon. Mas nem desta maneira, a situação entre israelenses e palestinos se amenizou.
O que pode ser notado é que há divergências em todas as camadas sociais envolvendo pessoas dos dois territórios.
Com isso, venho postar aqui sobre o documentário “Sobre Futebol e Barreiras”. O documentário, gravado durante a última Copa do Mundo, pelos cineastas brasileiros Arturo Hartmann, João Carlos Assumpção, José Menezes e Lucas Justiniano demonstra exatamente isso: Um sentimento dividido, entre a ideologia e a paixão pelo esporte.

Público acompanhando partida do Brasil contra a Costa do Marfim, em telão montado em Nablus, Israel (Foto: José Menezes)
No documentário, eles trazem o ponto de vista dos conflitos dentro do contexto da Copa do Mundo. Como está retratado pelo documento que apresenta o filme, em que destacam:
Retratamos as inúmeras barreiras que encontramos em Israel/Palestina e as suas mais importantes nuances refletidas no cotidiano social no qual entramos através do futebol. Expusemos as barreiras de concreto, aquelas que empunham armas ou mesmo algumas invisíveis, que se escondem no dia-a-dia deste lugar. O futebol não consegue derrubá-las, mas as deixou mais claras. E é isso que levamos: a mistura do futebol e das barreiras.
No início do trailer, isso fica claro, quando vimos em que, no confronto entre Alemanha x Argentina, pelas quartas-de-final, muitos palestinos torceram pela equipe comandada por Joachim Löw, por conta de declarações de Diego Maradona, que disse que dedicaria a vitória “ao povo judeu”.
“Sobre Futebol e Fronteiras” têm um contexto maravilhoso, uma temática muito bem selecionada pela equipe da Olé Produções, e que, sem dúvida é um daqueles documentários para ver. Indispensável. Abaixo segue o trailer:
Sobre Futebol e Barreiras – Teaser from Olé Produções on Vimeo.
Para saber mais sobre o projeto acesse o Blog oficial do projeto ou o Hotsite do projeto e esperem a próxima edição da Revista Rá, que é gratuita.
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Adendo: Recebemos hoje um email de José Ferraz, um dos produtores executivos do documentário, nos parabenizando pelo texto. O mesmo temos que falar para toda a equipe da Olé Produções, que teve essa excelente idéia e levou este projeto adiante. Agradecemos pelos elogios ao texto.
As lições dadas por Estônia e Líbia

A vaga estoniana foi garantida com a vitória da Eslovênia sobre a Sérvia, e agora eles esperam, quem virá para o derradeiro confronto de play-off. (Foto: Associated Press)
Começando pela Estônia, que pouca gente se lembrar, enfrentou o Brasil em 2009, e que todo mundo tirou um baita sarro, e no final, desconfiou até com certa razão, de um magro 1 a 0, quando o esperado era uma goleada. A Estônia nunca foi um país que tivesse grandes resultados. Nem grandes jogadores. Tá bom, Valery Karpin é estoniano, mas ele não conta, pois teve excepcional carreira na Rússia, mas isso não vêm ao caso.
A tal equipe conseguiu pela primeira vez uma vaga nos play-offs para disputar uma Eurocopa, desbancando a favorita ao segundo posto, Sérvia (com uma ajudinha da Eslovênia, diga-se de passagem). Só ficou atrás da Itália, que fez uma campanha irretocável.
Talvez o time acabe ficando pelo caminho, mas o trabalho a longo prazo, para tirar a Estônia do limbo deu certo. Prova clara de que o futebol, se levado a sério, pode render muitos frutos.
Agora, partindo para o exemplo da Líbia. Um país destroçado, após o caos político (que, diga-se de passagem, ainda não acabou) após a saída (?) de Gadafi. O futebol sempre foi usado como um instrumento político. Brasil (Copa de 1970) e Egito, até pouco tempo atrás, são exemplos claros.
Em ambos os casos, as respostas são distintas: Se o Brasil virou quitute de luxo para as seleções da denominada “Elite” do futebol (Desde o início da Era Mano, o Brasil só vêm tendo insucessos contra equipes de ponta, isso porque ainda forço pra falar que o Paraguai é “Elite”, e não me venham dizer que o Superclásico das Américas vale, pois a seleção Argentina estava com o time “D”, quiça “E”), o Egito decidiu pôr na cabeça que precisava mudar e tirou a lenda Hassan Shetata e colocou Bob Bradley no comando.
Mas, voltando ao caso da Líbia, Marcos Paquetá (campeão mundial sub-17 e sub-20 em 2003, pela Seleção Brasileira), fez o que parecia impossível: Montou uma seleção. Se na CAN, que será realizada em janeiro o time vai render alguma coisa, aí é outra história.
Mas só de ter classificado a seleção para uma competição continental, é uma coisa digna de prêmio.
Tanto que não é toa, que ele, ao lado de Jorvan Vieira (que comandou o Iraque no título da Copa da Ásia de 2007), são casos raríssimos de profissionais brasileiros com trabalhos bem-sucedidos no mundo do futebol.
Estônia e Líbia deram exemplos distintos nessa última rodada de jogos FIFA. Mas ambos são mais do que válidos. De equipes que não temem nenhuma adversidade, e que apanharam bastante, mas que agora, querem bem mais do que serem meros coadjuvantes.
Não duvidem delas. Pois planejamento e superação são palavras-chave dentro do futebol.
Voltando após uma looooooooooonga parada
Pois é, depois de um longo tempo, aonde o negócio foi se dedicar ao Fanáticos por Futebol, e a outros projetos, eis que retomo com uma das minhas principais paixões.
Sabe aquela ‘namorada’ que você nunca esquece, que você sempre se lembra, aquela inesquecível? Pois é, no caso de Blogs/Sites, o “AdF” é isso pra mim. É uma idéia que tive e reparti ela com meu colega Diego Rosemberg. Graças a (agora mamãe) Gabriela ‘Naga Riddle’ Amaral, que auxiliou esta dupla de palermas metidos a jornalistas, a transformar este lindo espaço em um site, e a estes intrometidos no Jornalismo Esportivo, em Graduados.
Sonho que durou pouco, infelizmente. Mas não foi por nossa causa. Foram por motivos maiores. Depois disso, ambos correram para projetos distintos, e me tornei repórter da Fanáticos por Futebol, site que encerrou suas atividades no último dia 31 de setembro.
Depois de refletir se era uma boa voltar com este espaço, decidi por voltar a escrever. Voltar a botar opiniões. Enfim, voltar a exercer minha profissão, mesmo que, de maneira indireta.
Pois então, voltemos ao trabalho. Bora (sic) continuar com este blog que continua sendo futebolisticamente artístico.
Quer acompanhar a gente? Simples. Twitter e Facebook estão aqui do lado direito, é só curtir e seguir, tá certo?
Sarriá, 5 de julho de 82.
É com um enorme prazer que, nós do Arte do Futebol, damos o espaço para o pessoal da Revista Doentes por Futebol, uma webrevista criada com o intuito de trablhar de maneira independente, com análises bem apuradas.
Esta revista que, já teve em seu staff, o já entrevistado pelo AdF André Rocha (atualmente na GloboEsporte.com), nos autorizou a colocar os textos da seção “Carimba que é Old” no Arte do Futebol, e é com o maior prazer que vamos colocá-los aqui. Semanalmente, teremos um novo texto da seção “Carimba que é Old”. Depois a seção se tornará mensal.
Sds.
Cleyton Santos
[Este texto é da edição nº01 da Revista Doentes por Futebol, tenham todos uma excelente leitura]
*POR JOSÉ RENATO BONVENTI
A ansiedade era tanta, que passei a noite em claro, devorando tostados (nosso misto quente) e lendo pela milésima vez os jornais do dia anterior.
Logo cedo, a movimentação de portas batendo e passos apressados nos corredores do hotel demonstravam que aquele dia seria especial.
Dezenas de ônibus formavam fila no estacionamento, e antes de entrar num deles, com o motorista impaciente já me apressando, tive que dar uma bronca num alemão que insistia em perguntar se aquela bandeira vermelha preta e branca era do Flamengo. Nunca tinha passado
por ofensa semelhante…
O comboio vagarosamente avançava no trajeto de pouco mais de uma hora entre Salou (pequeno balneário espanhol, que durante 15 dias foi a praia de Copacabana
da torcida brasileira) e Barcelona.
Por onde passávamos, éramos saudados como heróis, o que só contribuía para que a batucada, puxada por João Nogueira (sim, o sambista estava no grupo) se
animasse mais ainda.
Com cinco horas de antecedência, e sob um calor escaldante, nos apertamos nas arquibancadas, uns dez metros atrás daquele gol que ficaria quase tão conhecido e
amaldiçoado quanto o do Barbosa no Maracanazzo.
Longa espera, até que chegou o momento da consagração. E não havia como perder: invictos,
jogando pelo empate, encantando o mundo; contra Italia capenga, que não falava com a imprensa, tinha a desconfiança da torcida, e que até aquele momento só havia ganhado um jogo, contra a Argentina do garoto Diego.
O script daquela tragédia é mais do que conhecido: Júnior atrasado vendo o italiano livre marcar; Sócrates empatando numa jogada genial; depois Cerezo que nunca falhava, fazendo uma jogada bisonha (lembram-se daquele treinador do ginásio que certa vez interrompeu
o jogo para esbravejar: não se atravessa bola pelo meio no campo de defesa, c…….?); e o fenomenal Falcão fazendo o gol que parecia salvador.
Foram menos de dez minutos de euforia, até que num bate rebate, o carrasco Paolo Rossi entrou para a história como o novo Gigghia.
Lembro-me da angústia daqueles minutos finais: alguns já chorando; um senhor atrás de mim rezando; o Mineirinho (um sujeito folclórico que havia se transformado no líder informal da nossa torcida) gritando que “não era possível e que ainda iríamos empatar“; muita gente gritando gol naquela cabeçada do Oscar e dizendo que a bola tinha entrado; e por fim, meu amigo dizendo o que todo mundo havia visto, mas que ninguém queria ouvir: “Acabou”.
A volta foi em clima de velório, e no dia seguinte, o que mais se ouvia eram pessoas pagando a conta do hotel, se despedindo e voltando para o Brasil. Por pior que tenha sido a frustração pela derrota na finada e nada saudosa Sarriá, até hoje eu não consigo entender como alguém pôde jogar fora uma oportunidade que na maioria das vezes seria a única, de conhecer melhor a Espanha, talvez outros países da Europa, e acompanhar o restante da Copa.
No dia da final, saímos cedo, viajamos por mais de 5 horas até Madri, e inacreditavelmente ninguém quis ir ao jogo. Falavam em dormir, voltar ao Brasil, descansar… Com quinze anos e já completamente fanático, sabia que era um momento que iria guardar para sempre. Fui a pé e sozinho para o Santiago Bernabeu.
Sou ítalo brasileiro, vibrei e me emocionei com o título da Azzurra, e na saída do estádio, senti literalmente na pele, a real dimensão da importância daquele time do Telê. Estava usando uma camisa amarela de péssima qualidade, daquelas que você ganha só para ser identificado pelos colegas da excursão, quando dois rapazes italianos eufóricos pelo título, me abordaram desesperados para trocar uma camisa oficial da seleção campeã do mundo, por aquele pano amarelo que não agüentaria nem mais uma lavada. Quando aceitei, parecia que haviam conquistado outro troféu…Guardei a camisa intacta por muito tempo, até que se perdeu numa dessas mudanças ou limpezas de guarda roupa que minha mãe de tempos em tempos insistia em fazer.
O que não se perdeu, porém, foi o respeito e a admiração por um time que mostrou ao mundo que tão importante (ou até mais) quanto ganhar é encantar e dar espetáculo, saciar a vontade de quem é Doente por Futebol.
Entrevista com Gustavo Hofman
por Cleyton Santos e Diego Rosemberg
Agora, seguindo a série de entrevistas, fomos até a Trivela entrevistar o editor Gustavo Hofman, que atualmente mantêm o cargo de comentarista do Campeonato Russo (ou como está sendo conhecido atualmente, o “Russão”) na ESPN.
O vídeo com a entrevista – dividida em duas partes – está a seguir.
Aproveitamos o espaço para agradecer ao Gustavo pela possibilidade da entrevistá-lo e também de conhecer um dos sites com melhor reputação em futebol internacional, que é a Trivela.







