O recomeço, ainda com sombras de um Egito para se esquecer
Publicado por Cleyton Santos
Ontem, o Trivela lançou pela 1ªvez creio eu, no futebol brasileiro, um guia sobre o Campeonato Egípcio. Fiquei realmente surpreso e foi de excelente qualidade, mesmo já sabendo do nível Trivela em coberturas de campeonatos pelo mundo afora. (Para quem não sabe, fui colaborador da Trivela entre 2007 e 2008 e 2010 e tenho um carinho enorme pelo site, pois foi ali que fiz meu primeiro trabalho jornalístico)
Mas foquemos no Egito. Como é bem lembrado pelo texto do colunista de futebol africano Gabriel Seixas, não houve rebaixamento no Campeonato Egípcio em sua última temporada, pois equipes de tradição como o Ittihad Alexandria acabaram se segurando na situação de sítio que o país estava por conta de problemas de Hosni Mubarak, deposto do cargo neste ano e falando que foram prejudicadas. Por isso a liga preferiu manter as três que seriam rebaixadas (no caso, Ittihad Alexandria, Smouha e Arab Constructors, respectivamente) e subiu por justiça Telephonat Bani Sheif, Ghazl El Mahalla e El Dakhleya, equipes que venceram seus respectivos grupos pela 2ªDivisão.

Hossan Shehata, um dos maiores treinadores da história do futebol africano, e que tiha admiração por Hosni Mubarak, assumiu o desafio de levar o Zamalek a um título em seu Centenário. (Foto: Reprodução)
O governo de Mubarak deixou marcas que somente um bom tempo pode apagar. Uma boa parte delas, mesmo que indiretamente, estará com o Zamalek, equipe que comemora seu centenário. Com jogadores que passaram pelo futebol europeu como Mido (Ajax foi a passagem mais marcante) e Amr Zaki (Wigan), a equipe terá no comando um dos maiores treinadores da história do País, mas ao mesmo tempo, um dos maiores apoiadores de Mubarak, Hossan Shehata.
Para os torcedores do Zamalek, um retorno as origens, já que Shehata atuou por mais de 10 anos pela equipe, sendo que só por uma equipe, além dos ‘Cavaleiros Brancos’, que foi o Kazma, além de ter treinado o time sub-20 do Al-Ahly.
Como é dito em outra coluna da Trivela, Shehata não escondia a sua admiração por Mubarak, e que isso sem sombra de dúvidas, pesou para a sua saída, mesmo com três títulos continentais consecutivos. Além disso, Shehata recusou diversas propostas enquanto ainda era técnico do Egito e deve ter recusado novamente, quando uma proposta do time que o fez ídolo caiu sob sua mesa.

Time-base do Egito de Hossan Shehata vinha dos sucessos do Al-Ahly, que agora terá como seu principal adversário. Time é atual heptacampeão nacional (Foto: Reprodução)
Nessa temporada, os ânimos, que já estariam duplicados, devido ao centenário do Zamalek e a sina de não ganhar um título nacional desde 2003, além de ter perdido um campeonato praticamente ganho para seu eterno rival, o Al-Ahly (que de 2003 pra cá, se tornou uma força quase que imponente no futebol africano), no ano passado, faz com que o clube tente vôos ousados, e eles passam por Shehata. Nem que seja pra ficar marcado como ‘O time comandado pelo fã de Mubarak’.
Com toda essa controvérsia acerca de Shehata no comando de uma equipe da ‘Dupla de Ferro’ e do número ímpar de equipes (serão 19), o Campeonato Egípcio será um reinício dentro do que o Egito vêm passando nos últimos meses. Um recomeço aí é justo, além de ser muito legal uma das principais da África voltando com força total.
Cravar favoritos ao título no Egito é a mesma coisa que cravar favoritos na Escócia: Basicamente são dois. Podem ter alguma surpresa? Improvável que tenha, mas ainda assim, é bom ver que o Egito vai tocando a sua vida, após uma longa e dura ditadura e uma Revolução, que se fez necessária para o bem de uma nação.

Clássico entre Al-Ahly e Zamalek, o maior do futebol africano e um dos maiores do futebol mundial, promete ter um gosto especial (com risco de tons políticos, algo que não acontece tanto) nesta temporada de 2011/12 (Montagem)
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Sobre Cleyton Santos
Jornalista formado pelo Centro Universitário Radial Estácio, Cleyton Santos têm 22 anos de idade, e mora em São Paulo. Escreveu como colaborador para o website "Trivela" de janeiro a junho de 2010. Com passagens em sites como "Fanáticos por Futebol" e "Clube do Hipismo", trabalhou como Analista de Mídia na multinacional PR Newswire, entre 2009 e 2010. Trabalhou como repórter na "Fanáticos por Futebol", entre julho e setembro de 2011. Atualmente é editor do blog de futebol internacional do 'OsGeraldinos' e colunista de Esporte e Música no RumComCoca.Publicado em outubro 20, 2011, em Uncategorized e marcado como Al-Ahly, Amr Zaki, Hosni Mubarak, Hossan Shehata, Mido, Zamalek. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.
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