“Uma Copa e nada mais”: Chile 1962: Valentin Ivanov

Próxima parada da série “Uma Copa e nada mais” agora passa para o ano de 1962, respectivamente para o Chile, mas antes disso, vamos resumir o que houve nesses quatro anos que separaram o título brasileiro em Estocolmo, da disputa em território andino.

1959 foi um ano de enorme movimentação política, com destaque para o início da era “Che Guevara” em Cuba e a construção de uma das estradas mais importantes do país, a Rodovia Fernão Dias, que liga São Paulo a Belo Horizonte, isso além do Plano de Metas, que tinha como principal lema o termo “Cinquenta anos em cinco”.

Já no início dos anos 60, começa a série de independências das colonias francesas na África: Camarões, Benin, Burkina Faso, Costa do Marfim, Togo são alguns exemplos, mas o fato mais assustador ocorreu no Chile, quando aconteceu um terremoto de escala 9,5 na escala de Richter, e foi devastador, e destruiu Chile (tremor de terra), Havaí e Filipinas (tsunamis). Este terremoto causou enorme preocupação para a realização da Copa do Mundo.
Na política, Jânio Quadros, se tornava presidente da República e John Kennedy é eleito nos Estados Unidos.

Chega 1961, e o mundo se divide em dois: Começa a Guerra Fria, entre EUA e URSS, o Muro de Berlim é erguido na Alemanha, separando famílias e sonhos. Jânio renuncia a presidência e João Goulart assume o Governo e na União Soviética, é mostrada a maior bomba atômica da História: a Tsar Bomba, que teria força suficiente para destruir a cidade inteira de Paris, sem que sobre absolutamente nada. O medo assola o mundo.

Enfim, chegamos em 1962. Ano triste para Hollywood: morre Marilyn Monroe, por motivos miseriosos. Foi relatado como causa de uma Overdose.
No cinema, “O Pagador de Promessas”, de Anselmo Duarte, ganha a Palma de Ouro de Cannes, e na política, o Acre enfim, era denominado como estado, não mais como território brasileiro.

Depois desse resumo, voltemos ao Chile. Como já colocamos aqui, a Copa do Mundo correu sério risco de não aocntecer, devido a tragédia em 1960, mas o presidente da Conmebol, o brasileiro naturalizado Carlos Dittborn, disse uma frase que se fez emblemática na história das Copas: “Porque nada tenenos, lo haremos todo. esta frase que em português se torna “Porque nada temos, faremos tudo” acabou se tornando o slogan daquela Copa. Mas então, vamos falar de nosso jogador citado hoje: Valentin Ivanov (foto dele abaixo):

Ivanov foi destaque da URSS no Chile e artilheiro da Copa de 1962 (Fonte da foto: blog titan24.cn)

Valentin Ivanov fez sua carreira atuando pelo Torpedo Moscow, aonde obteve enorme destaque, principalmente entre o final dos anos 50 (ele atuou na Copa da Suécia, em 1958) e no início da década de 60. Atuando pelo Torpedo, ele fez 124 gols em 286 partidas, uma média de 0,44 gol/jogo. Uma excelente média, quase um gol a cada dois jogos.

E foi graças a esta competência que Ivanov foi para a Copa do Chile. Os soviéticos destacavam que ele é um jogador perigoso, e que a URSS jogaria suas fichas nas atuações de Ivanov.

Pela primeira vez na história das Copas, cada grupo fica sediado em uma cidade específica: No caso dos soviéticos, era o grupo A, que tinha ainda a presença da estreante Colômbia, da experiente Iugoslávia e do sempre ameaçador Uruguai. Os quatro times ficariam na cidade de Arica, que é próxima da tríplice fronteira Chile-Peru-Bolívia. Quem ficasse em 1º, não faria a cansativa viagem até Santiago( 2.000km, para ser mais especifíc0), aonde enfrentariam um dos times do Grupo B, que tinha Chile, Alemanha, Itália e Suiça, nas quartas de final.

A estréia dos soviéticos seria contra a Iugoslávia. Estádio Carlos Dittborn (Só para constar, o presidente da Conmebol morreu antes da realização da Copa, e o estádio foi nomeado com seu nome) lotado. Em campo, soviéticos e iugoslavos fizeram uma partida truncada, aonde apenas no 2ºtempo foi decidido o jogo. Ivanov fez o primeiro dos dois gols do time soviético na vitória por 2 a 0. Belo início.

Agora o adversário seria a estreante Colômbia, jogo fácil…Fácil?? Pelo contrário. Após 11 minutos, a URSS estava ganhando por 3 a 0, com dois gols de Ivanov, mas a Colômbia não desistiu e fez um gol antes do intervalo.
No início do 2ºtempo, o 4ºgol soviético. Tá agora, acabou? Não, muito pelo contrário.
A Colômbia se reergueu, achou forças ninguém sabe de onde, e estufou três vezes o gol de Yashin, e empatou o jogo em incríveis 4 a 4! Um jogo sensacional. Uma das maiores zebras da histórias das Copas.

Na última rodada, os soviéticos sofreram bastante para eliminar a Celeste Olímpica, por 2 a 1, com um gol de Ivanov, aos 44 minutos do 2ºtempo. 1ºlugar garantido.

Nas quartas, a URSS enfrentaria os donos da casa, que apostavam na pressão de sua torcida para chegar a uma inédita semifinal de Copa do Mundo.
Chegamos assim no dia  10/6/62. Novamente casa cheia em Arica. O Chile teve que fazer uma viagem bastante cansativa para enfrentar os soviéticos, que eram favoritos. Mas o Chile havia eliminado a Itália, bi-campeã mundial, e ainda tinha uma fervorosa torcida a favor. Dois pesos e duas medidas; um jogo completamente indefinido.

Por uma trágica coincidência, o único jogo em que Ivanov não muda a história do placar, a União Soviética perde, de 2 a 1; gols de Sanchez e Rojas para o Chile e de Chislenko, para os soviéticos.
Era o fim da caminhada rumo ao título mundial. O Chile viria a perder para o Brasil na semifinal, com um show de Didi e Garrincha. E o Brasil se tornaria campeão ao bater a Tchecoslováquia.

No fim, Ivanov foi artilheiro da Copa, ao lado dos brasileiros Garrincha e Vavá, do chileno Sanchez, do iugoslavo Jerković e do húngaro Albert, todos com quatro gols marcados.

Ivanov marcou época no futebol soviético e deixou um filho que também entrou para a história das Copas: Valentin Ivanov (exatamente, têm o mesmo nome do pai) era o árbitro de Holanda 0 x 1 Portugal, na Copa de 2006, jogo que se tornou a partida com maior número de cartões em Copas do Mundo: 12 cartões amarelos e quatro vermelhos.

Tá aí, um sobrenome marcado na história: Ivanov. Um sobrenome para pessoas que almejam grandes objetivos.

Arte do Futebol. Um blog futebolisticamente artístico.
Próximo episódio da série “Uma Copa e nada mais”: Vamos a terra da Rainha, no ano de 1966, falar sobre o argentino Luis Artime.

Até lá.

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