No fundo, todos nós somos Wendell Lira

A vitória de Wendell Lira no Prêmio Puskas vale mais como simbolismo para nós mesmos. (Crédito da foto: Reprodução/Facebook)

Após 24 horas, venho aqui escrever sobre a sensacional história da vitória do goiano Wendell Lira no Prêmio Puskas, como o gol mais bonito do ano. Preferi esperar e ver toda a repercussão, além de pensar que, qualquer coisa escrita aqui seria mais do que meramente hardnews, o que o Arte do Futebol não se propõe a fazer.

Esse título emblemático vai de um pensamento em que nós mesmos nos questionamos.

Questionamos se vale a pena continuar uma loucura. Se vale a pena persistir com as tentativas, mesmo com as inúmeras derrotas. Wendell teve isso. Foi da seleção brasileira sub-20 em 2006 para uma lanchonete.

As lesões – duas fortes lesões – diminuíram a expectativa dele com o futebol. Dos gols na Copa Sendai a frustração em Goiânia.

De repente, um sonho aparece. Um lance, uma bicicleta, um lance dificílimo para todos. Mas ali não era para Wendell. Para quem encarara as lesões e a realidade que assolta quase 90% dos jogadores nacionais, que é a de receber menos de um salário mínimo, não era nada.

Todos os poucos que estavam no Serra Dourada naquele modorrento Atlético Goianiense x Goianésia se espantaram. Múltiplas campanhas aconteceram para que o gol de Wendell chegasse até a FIFA – assim como aconteceu com outro jogador, Gessé em 2014. Aliás, alguém sabe onde ele está?

A votação popular comoveu a todos, mostrou que o Brasil é um dos países com mais engajamento quando o assunto é internet – já é o segundo Prêmio Puskas; o primeiro foi com Neymar -, mas principalmente, nos colocou de certa forma, no lugar do Wendell.

Desistimos muito facilmente de nossos caminhos, de nossas possibilidades. Muitos cedem no primeiro tombo, na primeira queda, na primeira decepção.

Nós nos vimos no Wendell, pois de certa forma, nós somos que nem ele. Caímos, sangramos, sorrimos, choramos, nos emocionamos.

O Prêmio Puskas pode acabar virando um fardo a posteriori para o atacante, principalmente se não jogar bem. Vai voltar a fazer parte dos 70% que não jogam profissionalmente.

Mas a maior vitória dele foi que ele nos fez ver o que queremos ser. O que tentamos.

Pergunte para algum radialista se é fácil continuar no sonho de trabalhar em rádio, com os tantos problemas que o meio passa. Pergunte para um empresário se é fácil conviver e apostar em um país que vive atualmente uma crise financeira. Pergunte para um jornalista esportivo se é fácil conviver cada vez menos com a possibilidade de exercer sua função.

Não é fácil. Muita gente desiste na primeira. Por isso mesmo que a vitória do Wendell também seja a vitória de nós mesmos.

Arte do Futebol.
Um blog futebolisticamente artístico.
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